A pandemia do estresse

A pandemia do estresse

Crédito:Envato

Por Cibele Mello

“Na semana passada, falamos que o sofrimento é inerente à condição humana. E situações, como uma pandemia, por exemplo, pode desencadear uma série de alterações físicas e emocionais em nós. Uma queixa muito recorrente, nesses tempos, tem sido o estresse causado pela mudança brusca no nosso estilo de vida. Sentir-se estressado constantemente, muitas vezes, pode ser traduzido em uma percepção de que os pensamentos estão mais intensos e persistentes e, em decorrência disso, emoções, como medo, pânico, angústia, agressividade, entre outras, vêm à tona, causando um grande desequilíbrio emocional.

Em casa, com a ajuda de aplicativos ou vídeos, você consegue buscar o equilíbrio emocional

 

Todo estresse é ruim?

Embora a sensação de estar estressado seja desconfortável, o estresse em si, não é nocivo. Ao contrário do que se pode imaginar, o estresse é um recurso vital. Pois é, ele é que nos permite reconhecer e identificar as situações de perigo. Quando estamos diante de algo que nos dá medo, que é muito arriscado ou desconhecido, nosso cérebro libera na corrente sanguínea um hormônio chamado cortisol, também conhecido como o hormônio do estresse e, simultaneamente, ativa uma circuitaria neuronal específica, que nos prepara para lutar ou para fugir, porque esses são os dois principais comportamentos responsáveis por garantir a vida em situações grande ameaça e ou de risco iminente de morte.

 

 

Então, quando o estresse passa a ser prejudicial em nossas vidas?

Como você pode ver, nascemos com a capacidade de nos estressarmos. Principalmente, quando notamos que o padrão de pensamento predominante em nossa mente é a pré-ocupação. Esses pensamentos do tipo ruminantes mantém o nosso sistema natural de alerta constantemente ligado, provocando sofrimento e desequilíbrio emocional. Além disso, eles também interferem na nossa capacidade de concentração e no foco, afetam a memória, dificultam a tomada de decisão, provocam alterações fisiológicas, como palpitação, falta de ar, fadiga, insônia e outros. Se você tem se sentido estressado e se vê constantemente preocupado com muitas coisas, mas não tem encontrado soluções para esses problemas, saiba que existem soluções simples, porem eficazes bem ao seu alcance.

Insônia é sintoma típico de estresse. Lembre-se que dormir bem é fundamental para nosso organismo ficar em equilíbrio

 

Rotina que organiza

Convido você a conhecer um pequeno roteiro que poderá ajudá-lo a transpor esse estado mental alterado e a reestabelecer o equilíbrio necessário para o enfrentamento das dificuldades desse momento. São estratégicas objetivas e subjetivas, algumas bem simples e outras, um pouco mais complexas, que têm por objetivo a modificação e a desaceleração do pensamento ruminante por meio do engajamento em atividades acessíveis a qualquer pessoa.

Uma das melhoras formas de controlar o estresse é organizando uma rotina diária. Faça listas e vá riscando o que for realizado

 

Entretenimento

A primeira, e a mais simples, eu chamo de entretenimento. Que nada mais é do que encontrar distrações mentais, capazes de tirar o foco dos pensamentos persistentes e ansiogênicos. A atividade pode ser lúdica, como ouvir suas músicas preferidas, assistir a um filme que te agrade, montar um quebra cabeça, fazer trabalhos manuais, como bordar, fazer tricô ou crochê, pintar, desenhar e outras coisas de natureza artística e criativa. Já num outro patamar, a distração também pode ser uma atividade que te mantenha engajado em procedimentos corriqueiros, como organizar gavetas e armários, fazer aquela tão prometida faxina, e tudo o que for da ordem da arrumação.

Esse tipo de ação tem benefício duplo:
1 – Promove a melhora ambiental e, estar em um ambiente organizado, acalma.
2 – Produz a satisfação do dever cumprido, que é muito relaxante para a mente. E ainda há um tipo mais complexo de atividade, que também produz excelente benefício frente ao tumulto mental, que é aprender coisas novas. O processo de aprendizagem exige muita concentração e, portanto, “desliga” ainda que momentaneamente, o estado de alerta produzido pelo excesso de preocupações e pelo estresse.
Nesse sentido, quanto mais complexa for a atividade em questão, mais o cérebro desliga da ruminação. Vale aprender um novo idioma, a tocar um instrumento, a cultivar uma horta, cuidar do seu jardim ou qualquer outra coisa que desperte a sua curiosidade e a sua vontade.

Uma atividade lúdica sozinha ou com seu filho ajuda (e muito) no controle das emoções

 

Ter rotina é preciso

Agora, vamos partir para a segunda etapa desse roteiro que, além de abarcar as coisas expostas anteriormente, vai agregar um outro valor a essas atividades. Crie uma rotina! A disciplina é uma boa ferramenta para enfrentar o barulho desorganizador da mente estressada. Faça listas e aprenda a priorizar as coisas para resolvê-las uma a uma. A sistematização das tarefas diárias pode evitar a paralisação diante das suas atribuições e responsabilidades que você precisa dar conta. Procrastinar, até pode produzir alívio num primeiro momento, mas depois gera a culpa e a constatação de que tudo continua ali, a espera de providencias e soluções que só você pode realizar.

 

Tenha um propósito

Nessa próxima etapa, vou falar de dois aspectos que podem favorecer muito o engajamento nas atividades propostas anteriormente. Vamos falar do senso de propósito, ou seja, crenças que nos ajudam a dar um sentido mais profundo para aquilo que estamos passando. Motivações que precisamos identificar em tudo o que é importante para nós e que podem ter diferentes origens. Aqui vai um exemplo bem comum: Eu não gosto de fazer atividade física. Fato! Mas, se eu tenho consciência do histórico de doenças cardíacas da família, me esforço para treinar regularmente como forma de evitar um mal.

É uma espécie de negociação que eu faço comigo mesma, baseada num entendimento mais profundo do que o simples quero/não quero, gosto/não gosto, vou/não vou. E isso favorece a disciplina e o engajamento, que juntos produzem um efeito restaurador das emoções e a desaceleração mental. Para as mentes mais hiperativas ou para aqueles que gostam, ou para os que têm curiosidade, existem outras atividades que produzem a lentificação mental. São as técnicas de respiração e as práticas meditativas, como o mindfulness, por exemplo. Na internet, há uma gama de sites, aplicativos, vídeo-aulas que ensinam desde os primeiros passos até a práticas mais aprofundadas que você pode fazer sem sair de casa e seguindo o seu próprio ritmo.

Mas atenção! Quando o motivador não for um agente externo, como a predisposição genética, exemplificada acima, podemos recorrer a um recurso interno e escalar nosso juiz interior, o nosso superego, para colocar em perspectiva as nossas responsabilidades. Às vezes, precisamos levar um puxão de orelhas de nós mesmos, ou termos aquela conversa franca na frente do espelho, parar e ouvir a nossa voz interior nos dizer, em alto e bom som, que algumas coisas não são negociáveis.

Algumas vezes, teremos de aceitar as coisas tal como elas são, para, só, então, enfrentá-las e superá-las, definitivamente. Bem, pegando carona na importância desse conceito de aceitação, já vou introduzindo último tópico desse pequeno guia de como lidar com o estresse nesse tempo de pandemia.

 

Desapego

Desapegar, nesse caso, significa soltar, entregar, deixar partir. Embora pareça um conceito abstrato, desapegar é uma atitude que nem sempre é tarefa fácil de se colocar em prática. Quando estamos diante de dificuldades insolúveis, muitas vezes, tendemos a entrar em modo negação, atitude oposta a aceitação. Daí a grande dificuldade de desapegar. Percebam que uma é via régia para a outra.

Portanto, podemos dizer que o desenvolvimento da capacidade de aceitar, depende da possibilidade de enxergar com clareza os fatos em questão para, a partir desse ponto, lançar mão das estratégias de enfrentamento que melhor se encaixam a cada situação.

Entretanto, na vida, também nos deparamos com situações onde não há nada a ser feito. E é aí que entra em cena o desapego. É como diz o ditado: “O que não tem remédio, remediado está.” Essa frase, tão banal, pode ser um grande desafio para muitas pessoas, visto que praticar o desapego exige, além da aceitação, que é um fator preponderante, flexibilidade emocional, capacidade de relativizar a importância das coisas e saber reconhecer os próprios limites.

Relativizar a responsabilidade inerente aos problemas e reconhecer que muitos deles são, em parte, sintomas próprios desse tempo pandêmico, pode trazer um alívio para a mente. Contudo, é preciso compreender que a solução daquilo que diz respeito aos próprios sentimentos e emoções, depende de pequenas, porém preciosas mudanças que estão ao seu alcance. Idealmente falando, desejo que esse artigo tenha despertado em você a vontade de experimentar e de praticar as atividades propostas, a fim de alterar, de forma simples e duradoura, o estado das coisas que causam sofrimento e desequilíbrio emocional em sua vida.

Fica aqui o convite!”

Desapegue. Faça uma limpa nos armários e doe tudo o que você já não usa mais

 

Quer saber mais sobre o assunto? Clica neste link:
Psicossomática

Como você cuida da sua saúde mental? 
Conta para a gente nos comentários aqui embaixo.

COMENTÁRIOS

WORDPRESS: 0
DISQUS: 0