Empreendown – A autonomia do amor

Empreendown – A autonomia do amor

Crédito: Acervo pessoal

Inovação, tecnologia e iniciativas empreendedoras mexem com a criatividade da equipe do ConturbTrends. Estamos sempre atrás de algo novo que tenha potencial para virar tendência.

E foi assim que descobrimos o Empreendown. Um evento que reúne empreendedores com Síndrome de Down na busca por autonomia e produtividade e vai acontecer no dia 30/11, das 11 às 17h, no Espaço Sinimbu, em São Paulo.

Trabalho de formiguinha

A ideia veio da família Reis. Quando a Bia, 23 anos, nasceu, seus pais descobriram que ela tinha Síndrome de Down. Naquela época, eles não tinham muitas informações sobre o problema e os prognósticos dos médicos não eram os melhores.

“Não havia certeza. Eles diziam ‘Se ela andar, falar’… Assim, meus pais resolveram que não levariam tudo ao pé da letra e fariam o que fosse possível para promover o desenvolvimento dela”, conta Camila Reis, a irmã orgulhosa.

Assim, Bia, desde de pequena, frequentou algumas terapias, como fonoterapia, fisioterapia, musicoterapia, entre outras. E sempre que os pais ouviam falar de algo que pudesse estimular o desenvolvimento da pequena, eles iam atrás.

“Minha irmã estudou em escolas regulares e depois foi para a CEDE – Centro de Dinâmica de Ensino, que trabalha na alfabetização de crianças com Síndrome de Down. Lá, ela realizou o sonho de aprender a ler e escrever”, orgulha-se Camila.

Irmã parceira

Camila tinha 7 anos quando a Bia nasceu. E, como todo mundo sabe, ciúme de irmão é perfeitamente normal. Para evitar que essa relação começasse com o “pé esquerdo”, os pais das meninas deixavam Camila participar de tudo o que era relacionado à caçula.

“Eu dava banho, escolhia as roupas para ela. Hoje, eu falo que eu brincava de boneca com a Bia”, revela. Por isso, as meninas sempre foram muito unidas em tudo. E o Empreendown é um projeto que nasceu desse mesmo jeito.

Sonho realizado

Camila conta que, desde pequena, Bia sempre gostou de artes, principalmente de pintura. “Na escola, ela amava as aulas de artesanato. Então, nós incentivamos o desenvolvimento das técnicas aprendidas em sala de aula dentro de casa também”, explica a irmã.

A partir daí, Bia começou a trilhar o caminho da profissão que tem hoje. Os trabalhos da artista começaram a pipocar nas redes sociais e logo as encomendas começaram a surgir.

Em 2017, a família Reis ajudou a jovem a criar o “Ateliê Bia Reis” e, desde então, ela não parou mais. “Agora, ela, com a nossa colaboração, promove eventos, dá aulas presenciais e em vídeo no Youtube”, conta Camila.

Mas o sonho da Bia era expor suas peças. E, em setembro do ano passado, ela apresentou o trabalho que preparou durante o ano todo.
Ali, a jovem empreendedora teve contato com o público e decidiu que não queria apenas vender suas peças pela internet. A ideia era participar de feiras e bazares para ter, justamente, esse contato com as pessoas.

Empreendown

Camila e sua família tentaram encontrar lugares para a Bia expor e vender suas peças. Mas, a maioria dos espaços abertos ao público cobram uma taxa alta para que os expositores participem.

Criativa, a irmã mais velha pensou em apresentar o trabalho da caçula para algumas empresas da mesma forma que Food Trucks fazem. Além disso, Camila imaginou que essa dificuldade de empreender da Bia seria também de outros jovens como ela.

Então, nasceu o Empreendown. Em maio deste ano, o projeto foi lançado com três empreendedores. Agora, são seis e a tendência é que esse número cresça, porque a ideia é dar visibilidade a jovens empreendedores com Síndrome de Down.

“Eu entro em contato com algumas empresas, apresento o projeto e peço que eles abram as portas para esses empreendedores”, explica Camila. Ela diz que qualquer pessoa com Síndrome de Down que faça ou comercialize algum produto pode participar do projeto.

Mudança de comportamento

A família comemora a evolução da Bia depois que ela se tornou uma empreendedora. “Ela está bem mais madura e responsável. Tem autonomia pessoal e, como eu e minha mãe trabalhamos fora, a Bia fica o dia todo sozinha em casa, cuidando das tarefas diárias. Quando tem evento, o foco dela é a produção dos artesanatos”, revela.

A percepção de todos que acompanham esses jovens empreendedores, depois de cinco meses de Empreendown, é que eles encaram o que antes era um hobby como uma profissão. Isso trouxe responsabilidade e autonomia para todos.

Bia e o Empreendown estão nas redes sociais

Com certeza, as redes sociais são fundamentais para a divulgação do trabalho da Bia. Segunda Camila, foi por meio delas que a jovem empreendedora fez as primeiras vendas e teve seu trabalho reconhecido.

“Cada comentário, cada curtida é um incentivo para que a Bia continue fazendo o que gosta. E isso traz mais autoconfiança para ela. Eu gerencio as redes dela. Mas só posso fazer postagens, os comentários é ela quem lê toda noite me diz o que responder! Minha “chefinha” é bem rígida com isso, quer estar por dentro de tudo o que dizem sobre o trabalho dela”, conta a irmã.

Camila afirma que, para o Empreendown, as redes sociais têm sido muito importantes. Hoje, elas recebem convites de empresas que encontram o projeto por meio da internet, ferramenta essencial para a divulgação do trabalho da Bia.

 

Bia e Camila Reis - Empreendown

As irmãs Bia e Camila Reis, responsáveis pelo projeto Empreendown

Crédito: Acervo pessoal

Quer saber mais? Clica nestes links:

www.facebook.com/empreendown
@empreendown
@ateliebiareis

 

E você, tem ou apoia algum projeto? 

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