O sonho de falar inglês – Vivendo um ano sabático

O sonho de falar inglês – Vivendo um ano sabático

Crédito: acervo pessoal

Joyce Amaral, estilista mineira de 35 anos, sempre quis falar inglês. Essa vontade ficou ainda maior quando, aos 10 anos, ela foi conhecer a Disney. No ano seguinte, começou estudar a língua estrangeira com uma vizinha que tinha morado em Boston, EUA.

A partir daí o sonho de se tornar fluente em inglês só aumentou. Mas nem tudo é perfeito. “Durante minha adolescência, minha família passou por uma falência. E, na hora de cortar os gastos, perdi as minhas aulas”, conta Joyce. Por isso, ela começou a trabalhar para ajudar nas despesas da casa, mas a vontade de falar inglês e conhecer o mundo continuava ali.

A jovem estudava à noite – nessa época ela já estava na faculdade e trabalhava o dia todo. Mas quando a gente deseja muito alguma coisa, tudo conspira a nosso favor. Foi o que aconteceu com a Joyce. “Consegui um desconto na escola de inglês que era parceira da minha faculdade. Então, estudava aos sábados”, revela.

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Missão cumprida? Parte dela…

Aos 25 anos, Joyce tinha se formado e conseguido um emprego estável. Desde então, começou a juntar todo dinheiro extra que podia para sua tão sonhada viagem. Afinal, ela precisava dar a si mesma um presente, um ano de autoconhecimento. O tal do ano sabático! “Quatro anos depois, achei que era hora de viajar porque eu estava solteira e tinha um bom currículo. Assim, se quisesse parar por um ano, conseguiria voltar para o mercado de trabalho”, explica.

Partiu sonho!

Assim, em janeiro de 2014, Joyce comprou a passagem e começou a pagar o intercâmbio. Ela escolheu a Irlanda porque era mais barato que ir para Londres ou Austrália. “E se eu precisasse, estudantes têm 20 horas semanais para trabalhar legalmente. Além disso, por ser na Europa, seria mais fácil conhecer culturas diferentes”, conta.

Em agosto daquele ano, a estilista embarcou para a Irlanda. Pronto. Um sonho realizado. Aí, vem a dúvida: “A Joyce não tinha apenas o sonho de falar inglês fluente?”. Pois é. Mas ela acabou multiplicando seu desejo. Chegando lá, foi estudar Business. Porém, percebeu que não tinha conhecimento suficiente na língua inglesa para um curso técnico. Então, voltou para as aulas de inglês.

Parecia fácil, mas…

Quando decidimos mudar de país, temos uma ideia romântica de que tudo vai se resolver como sempre. Mas o fato de não ser fluente no idioma local e não conhecermos muitas pessoas, dificulta um pouco as coisas. Para Joyce, não foi diferente. Ela encontrou dificuldades para achar uma casa para morar. “Preferi morar com brasileiras por conta dos hábitos de higiene e a facilidade de fazer amizade”, explica.

Por outro lado, fez vários amigos nativos e isso facilitou seu aprendizado. Apesar disso, ela acreditava que o inglês não faria diferença no currículo. Joyce queria mesmo um curso técnico. Assim, encontrou um de moda. Mas, para isso, precisava trabalhar. Tentou ser babá por três semanas. “Isso durou até o dia em que uma das meninas que eu cuidava despejou um litro de detergente na pia que tinha ligação com a máquina de lavar louça. Nunca vi tanta espuma na minha vida! Não sabia se chorava ou ria vendo as meninas brincando no meio da espuma”, entrega.

Socorro, mãe!

Quando o plano A não rola, a gente parte para o B. Foi o que a Joyce fez. “Pedi grana emprestada para minha mãe para pagar o curso. Encontrei um módulo de tendências de moda dentro de uma po?s-graduac?a?o em Fashion Buyers, de dois anos”, conta. Como seu inglês não era nativo, ela se dedicou mais nas demonstrações de coleção.

A apresentação do TCC de Joyce aconteceu no último dia dela na Irlanda. A professora pediu que ela ficasse depois da aula para que pudesse dar um feedback. “Mesmo não sendo nativa, a orientadora disse que minha apresentação estava ótima! Outro sonho realizado”, comemora.

Como a jovem queria conhecer outros países da Europa, começou a montar roteiros semanais que não atrapalhariam suas aulas. Ela viajava nos finais de semana e escolhia os destinos pelas promoções de passagens. “Conheci Irlanda do Norte, Inglaterra, França, Itália, Portugal, Espanha, Alemanha, Polônia e Noruega. Mais uma realização”, enumera.

Segundo Joyce, ela conheceu gente do mundo inteiro, de locais turísticos a ilhotas que nunca havia imaginado. Além disso, experimentou todo tipo de comida. O melhor, para a estilista, era viajar de ônibus de dia para contemplar o interior dos países.

“Profissionalmente, tudo isso me ajudou a ter uma visão mais ampla de diferentes públicos, de consumidores e de cool hunting. Voltei mais respeitosa em relação as diversidades culturais. Enxergo o lado humano das pessoas, com passado e muitas histórias”, diz.

Mais uma vez?

Joyce conta que faria tudo de novo. “Talvez, eu ficasse mais um ano por lá para ter as experiências legais que tive. Sinto falta das pessoas que fiz amizade, pois aprendi muito com elas. Tenho certeza que algumas vou carregar por toda a vida”, revela.

A jovem estilista diz que ainda vai voltar a fazer intercâmbio para melhorar o inglês e aprender a viver num local diferente da Irlanda. Ah, só para você saber, mês passado, ela estava em férias em Zurique, na Suíça, hospedada na casa de uma pessoa com quem fez amizade durante a viagem.

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Conheça também as histórias de Nana Bulgareli, Ione SilvahVivi Noda. Elas se descobriram durante um ano sabático.

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www.folha.com.br
www.exame.abril.com.br

O que você mudaria na sua vida durante um período sabático?

Conta para a gente nos comentários aqui embaixo.

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