Quarentena: uma visão distorcida sobre nós mesmos

Quarentena: uma visão distorcida sobre nós mesmos

Crédito: Envato

Por Cibele Mello

 

Tudo mudou

Faz cinco meses que a maioria das pessoas não sai de casa. Muitas coisas aconteceram nesse período. Umas, foram tão boas que nos tornaram seres humanos melhores, mais empáticos. Outras, nem tanto. Pelo contrário, despertaram o pior de algumas pessoas. Mas algo que está chamando a atenção é o fato de nos adaptarmos para fazer tudo dentro de casa, ou seja, na nossa zona de conforto física e emocional, no melhor lugar do mundo.

Para falar sobre esse novo comportamento que está tomando forma em nossas vidas, o ConturbTrends convidou a psicóloga clínica Cibele Mello, de São Paulo. Aqui, ela dá um panorama do que pode acontecer dentro da nossa própria bolha e como evitar o desleixo e o descuido com nossa saúde física e mental.

Nada melhor do que a zona de conforto

Aparência em segundo plano

“Num primeiro momento, a imposição do isolamento social, do distanciamento caiu como uma bomba nas nossas vidas e no nosso cotidiano. E, talvez, em virtude do impacto disso, a gente tenha se perdido um pouco na rotina e acabamos negligenciando a aparência por não podermos sair de casa. Talvez porque haja o consenso de um afrouxamento dessa regra social em relação à vestimenta e ao traje necessário, principalmente em situações de trabalho.

Isso também pode ser visto no autocuidado – e não estou falando de coisas excessivas, mas do básico. Ele é fundamental para a manutenção da nossa saúde mental e física. Então, é importante manter os hábitos de higiene, tomar banho, trocar a roupa por alguma limpa, organizar e limpar a casa.

Nesse momento que estamos vivendo, as pessoas nem percebem, mas acabam ficando muito relaxadas. Essa nova maneira de viver é mais dura para uns do que para outros. Por exemplo, para quem mora sozinho ou tem dificuldades de aceitação da aparência. Nesse segundo caso, quem tem problemas com a autoimagem acaba relaxando mais, se negligenciando.

 

Cuidados básicos de higiene devem ser mantidos

A distância que nos afasta de tudo e de todos

Um outro aspecto é o psicológico social, com a diminuição das relações. Nós somos seres sociais e vivemos nos relacionando, e a falta disso acaba evidenciando a solidão. Então, tem muita gente que mora sozinho, tem um trabalho remoto, que não faz reuniões por vídeos – em que os assuntos se resolvem por mensagens ou e-mails – e o distanciamento social também abre espaço para um relaxamento maior com a aparência.

Não quero dizer que você vai chegar num estágio problemático, patológico de negligência consigo mesmo. Não é esse o caso, acho que é mesmo uma questão de ajuste na rotina, de se encontrar dentro de tudo o que mudou.

O autocuidado é importante, porque ele atua como regulador da rotina, não só da aparência, mas da saúde. Precisamos seguir com os hábitos básicos, escovar os dentes depois das refeições, tirar o pijama para trabalhar. Pequenas atitudes que ajudam a nos mantermos firmes.

Se você tem uma interação virtual muito baixa, a tendência é que você fique mais relaxado com a aparência porque não é preciso estar diante de outras pessoas.

O distanciamento social e virtual, sem câmeras, contribui com a falta de cuidados

 

Atenção redobrada!

Como é que a gente reverte esse processo? Acho que prestando atenção no cotidiano. Se é assim que a banda está tocando, é assim, nessa realidade, que a gente tem que estabelecer uma rotina saudável.

Então, a melhor maneira é a pessoa ser sincera consigo mesma. Fazer autoanálise, diante do espelho, e conversar com essa imagem refletida ali e estabelecer metas. Claro que a gente não está falando de uma rotina rígida, de uma estrutura, uma agenda tão cheia de coisas e de regras a serem seguidas. Mas que encontre o que é melhor pra ela.  Por exemplo, uma vez por semana cuidar dos cabelos, fazer as próprias unhas, programar a alimentação dos próximos dias.

Faça uma lista com suas metas. Mas lembre-se de não exagerar na dificuldade delas

Olhar para dentro de si e colocar o melhor para fora

Pode ser um bom momento também para rever hábitos. Se você fuma ou bebe todos os dias, se tem sobrepeso, se lê pouco. É uma questão de restabelecer acordos consigo e que sejam possíveis de serem alcançados. Não adianta fixar metas extremamente altas. Acabamos sobrecarregados e desanimados.

Devagar, você vai incorporando tudo o que precisa para conseguir viver bem, mentalmente e fisicamente. Agora, com todo esse tempo, sem o exterior regulando nossas vidas, é o momento de tomar uma atitude.

As relações precisam continuar, mesmo que virtualmente. É importante se ver pelo olhar do outro, ter e dar feedbacks. Essa interação social é reguladora por si só.”

O melhor de nós mesmos pode estar ali, adormecido. É hora de colocá-lo pra fora!

Quer saber mais? Clica nestes links:
ConturbTrends

Como você está se cuidando?
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